Método e risco · Guia prático
Antes de fazer trading ou investir, tenha sempre um Plano A e um Plano B.
Um plano útil responde a duas perguntas: o que espero que aconteça e o que farei se acontecer o contrário? Prepare a resposta antes de investir ou fazer trading, enquanto ainda consegue decidir com calma.
Plano A: o que você busca e quando entrar
Defina o objetivo, as condições de entrada, quanto capital exporá e como sairá se o cenário se confirmar. “Acho que vai subir” ainda não é uma regra que você possa seguir.
Plano B: o que fará no pior cenário
Pergunte qual é o pior resultado possível e decida sua resposta antes de começar. Considere que o preço pode continuar caindo, demorar anos para se recuperar ou que você pode perder o capital exposto. Defina o que fará, quanto está disposto a perder e qual limite não mudará.
O Plano B pode ser manter um ativo, reduzir, encerrar ou utilizar uma reserva prevista. Deve incluir uma resposta caso esse segundo plano também falhe. Adicionar dinheiro por nervosismo para recuperar perdas não substitui um plano.
Estes exemplos explicam minha forma de organizar uma operação; não são orientação financeira nem uma indicação de que você deva replicá-la.
Exemplo 1: um Grid Trading Bot em Spot com BTC/USD
Meu Plano A: abrir um bot para aproveitar as oscilações dentro de uma faixa e obter ganhos em USD, com uma expectativa favorável para o BTC.
Meu Plano B: se o BTC cair e sair abaixo da faixa, já decidi se quero mantê-lo no longo prazo. Durante a queda, o bot foi usando USD para comprar BTC a preços menores. Fora da faixa, pode parar de operar enquanto mantém esses BTC.
Nesse cenário, posso encerrar o bot manualmente e escolher manter os BTC em vez de vendê-los por USD. Primeiro, confiro a tela de encerramento: conforme as opções disponíveis, posso receber BTC e o USD restante separadamente. Um encerramento automático por stop loss pode agir de outra forma e vender as moedas.
Assim, posso terminar com mais BTC do que o equivalente em BTC do meu capital inicial, embora seu valor em USD seja menor naquele momento. Mantê-los preserva a possibilidade de participar de uma recuperação: não elimina a perda não realizada nem garante que o preço vá se recuperar.
Começo com 1.000 USD quando o BTC vale 100.000 USD: equivalem a 0,01 BTC. Para simplificar, imagine duas compras:
- 500 USD a 100.000: compro 0,005 BTC.
- 500 USD a 80.000: compro 0,00625 BTC.
Acumulo 0,01125 BTC. A 70.000, valem 787,50 USD: ainda tenho uma perda de valor. Se o BTC voltar a 100.000, esses BTC valeriam 1.125 USD.
Exemplo ilustrativo sem taxas. Um grid real faz mais operações e pode produzir outro resultado; acumular mais BTC ou ganhar quando o preço inicial se recuperar não é garantido.
Se essa recuperação ocorrer, posso avaliar abrir outro bot ou continuar mantendo. Meu Plano B só faz sentido se eu aceitar continuar exposto ao BTC, puder prescindir desse dinheiro e tiver definido o que farei caso minha tese deixe de ser válida.
Exemplo 2: reservar capital para Futuros Perpétuos
Não comprometo todo o meu capital ao abrir a posição. Divido em partes e mantenho uma reserva prevista para responder a uma queda. Distingo duas ações:
- Adicionar margem: aumentar a garantia da posição para afastar a liquidação. Por si só, isso não altera o preço médio de entrada nem o tamanho da posição.
- Aumentar a posição a preços menores: em uma operação long, pode reduzir o preço médio de compra dos contratos. Também aumenta a exposição e as perdas potenciais se o preço continuar caindo.
Por isso, o plano deve definir antecipadamente o máximo total a comprometer e quando parar de adicionar capital. Ter reservas não torna a liquidação impossível.
Quando considero operar BTC na alta
Minha abordagem para o BTC parte de uma tese de alta no longo prazo. Não opero Futuros LONG (na alta) a qualquer momento: busco um contexto em que acredito que a fase mais difícil do ciclo de baixa possa ter passado. Por exemplo, espero uma combinação de:
- Uma queda anterior de mais de 50% desde a máxima histórica.
- Mais de 300 dias de mercado de baixa.
- Algum sinal de alta que apoie meu cenário de recuperação.
São filtros pessoais para avaliar uma entrada, não uma prova de que o fundo foi atingido. Se não encontro esse contexto, prefiro não operar BTC em Futuros. Mesmo quando ele se confirma, o preço pode continuar caindo, e uma posição alavancada pode ser liquidada antes de uma eventual recuperação se não for gerenciada adequadamente. Uma boa gestão reduz esse risco, mas não o elimina.
Entender a liquidação e como ela pode mudar →
Três sinais de que você está improvisando
- Você muda seu limite toda vez que o preço se aproxima.
- Você aumenta a posição por impulso para recuperar rapidamente as perdas.
- Você só revisa a estratégia quando ela mostra ganhos.
Avalie também como tomou a decisão. Uma boa decisão pode terminar em perda, e uma decisão improvisada pode dar certo por acaso. Confira se agiu conforme o cenário previsto.
Um plano não elimina as perdas. Ajuda você a decidir antes que o medo ou a euforia decidam por você.
Para se aprofundar, descubra como funcionam os bots de trading e como funcionam a margem e os Futuros.
Notas sobre o funcionamento dos bots
As opções dependem do produto e da configuração. Continue aprendendo no nosso guia de bots de trading e na explicação sobre liquidação, margem e exposição.
